quinta-feira, 11 de abril de 2013

PROJETO READAPTA À ATIVA POLICIAIS ACIDENTADOS EM SERVIÇO



ZERO HORA 11 de abril de 2013 | N° 17399

DE VOLTA À ATIVA

Reforço na tropa da BM e na autoestima. Projeto de lei readapta ao trabalho policiais militares acidentados em serviço



No círculo formado na tarde de ontem por mesas e assentos no refeitório do Quartel-general da Brigada Militar, em Porto Alegre, havia um contraste entre oficiais fardados, de um lado, e policiais em trajes civis portando muletas ou sentados em cadeiras de rodas, de outro. No grupo de 16 PMs acidentados, boa parte se surpreendeu com o que o comandante-geral, coronel Fábio Duarte Fernandes, anunciou, pouco depois das 17h: o envio de um projeto de lei à Assembleia Legislativa para readaptar os servidores ao serviço e devolver-lhes a autoestima, tragada por um sentimento de abandono pela corporação.

Um por um, os acidentados presentes à reunião convocada pelo comando da BM se apresentaram. Acomodado em sua cadeira de rodas, um sargento de 60 anos repetiu o padrão das falas anteriores:

– Sargento José Carlos Gomes. Acidentado em 1987, atingido por arma de fogo, com lesão medular. Reformado como segundo-tenente.

Gomes lembra que sua vida mudou na noite em que um homem armado ameaçava matar a mulher, no bairro Jardim Lindoia. Ao tentar negociar com ele, Gomes levou um tiro que atravessou o mamilo direito e atingiu a medula. Nunca mais caminhou.

Retorno ao serviço pode engordar ganhos de PMs

Com a reforma, o PM perde adicionais. O sargento Pedro Paulo de Oliveira, 51 anos, caiu de uma escada em 1994. Sua coluna se tornou um emaranhado de parafusos. No entanto, seguiu em serviço porque se fosse reformado “as condições financeiras virariam nada”. O comandante-geral aponta que haverá 50 vagas para os acidentados, a maioria em setores burocráticos e de monitoramento eletrônico, o que permitiria deslocar PMs dessas posições para as ruas. A seleção será feita por uma junta médica.

Associações de policiais acidentados estimam haver entre 800 e 900 agentes nessa situação no Estado, muitos deles ainda na ativa. Fora de serviço, haveria cerca de 350 reformados e entre 60 e 70 inválidos – que não podem ter atividade alguma. A medida é vista com esperança de se recuperar o orgulho e aumentar os ganhos – promoções, horas extras e demais adicionais do profissional da ativa. Emocionado, o sargento Oliveira tomou a palavra na reunião e expôs as dificuldades enfrentadas pelo grupo:

– Temos condições de dar o melhor para a BM, mas não éramos vistos.

Sentada ao seu lado, a filha Paola, 10 anos, olhou para o pai, orgulhosa.

ANDRÉ MAGS

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - PARABÉNS PELA INICIATIVA. Já estava na hora dos governantes enxergarem a possibilidade de remanejar policiais incapacitados para a operacionalidade, mas jovens, para outras atividades administrativas, gerenciais e até de apoio e monitoramento.


Um comentário:

  1. Alguma novidade sobre este projeto, vai fazer 1 ano desde a reuniao com o comandante e nada foi realizado.

    Sd ref. Domingues

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